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Um dia sem remédios é um tour no inferno, sentia cada pulsação e o ar sendo levado lentamente para os meus pulmões, quanto mais inspirava mais piorava sentir o ar. Era quando eu entrava em pânico e a minha vontade era me atirar no chão e desmoronar de vez. Só que depois dos remédios me senti pior na abstinência ou por ser traumatizante em todas as situações, pois sempre parece pior do que na última vez.
Fiquei muito agitada, ofegante, com um vazio imenso e nada cessava aquela sensação. Até mesmo piscar era difícil naquele momento, porque os meus olhos não queriam se fecharem por cada minuto ser exaustivo e eu não podia perder nada. Constantemente aquilo só piorava em algum momento como sempre, então lá vem o pânico.
Não posso parar com a medicação, ela me salva e mesmo me modificando é reconfortante, porque sentir as palpitações e não precisar pensar sobre o ar nos meus pulmões. Sempre odiei ônibus, então só agora consigo entrar em um ônibus sem desmoronar ao ponto de sair correndo para me reestabelecer fora do ônibus ou sentada. Enquanto o medo aumentava, a vontade de largar tudo era imensa e não me sinto parte da sociedade.
O mundo possui muitas maldades e a dor era uma parte difícil de lidar, que só o tempo ameniza em um processo lento. Certas dores são mais parecidas com tortura, pois a duração é surreal e transforma cada segundo em uma eternidade. A dor física e emocional nem sempre morfina ou calmantes dão um basta, então aquilo se torna parte sua e não é essa parte que te definirá para o mundo, alguns idiotas podem te dar as costas e faz parte.